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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dica Finesse do Dia - Mães e Crianças


Texto de Danuza Leão, humorado e cheio de piadinhas (polêmico até), falando sobre a aventura de educar uma criança...


Mães e crianças costumam provocar uma mistura explosiva sob todos os aspectos. Mães e crianças costumam aborrecer até a mais aveludada das criaturas. Tem quem goste de conviver com o zigue-zague emocional das mães e com o foguetório constante dos pequerruchos. Pois é. Talvez tenha sido por isso que nascemos com altas dosagens de tolerância, paciência e abnegação. Cuidado: virtudes têm limite. Mães e crianças, não.

Mães: geralmente é a vocês que cabe a educação dos filhos, sobretudo no capítulo modos à mesa, arrumação do quarto etc. Não sejam preguiçosas. Claro, é mais fácil fazer que ensinar. Mas tenham coragem, ensinem, e comecem cedo, para que os bons hábitos se tornem uma segunda natureza e não um procedimento para ter só na frente de
visitas. Seja rigorosa. Eles vão te odiar às vezes. Você vai querer esganá-los frequentemente. Faz parte, entre pessoas que se amam. Mas um belo dia alguém vai dizer o quanto seu filho é educado, prestativo, gentil, querido. Você vai desmaiar de surpresa e felicidade.

Nunca me esqueço da história daquela mãe que se dirigiu a uma especialista em boas maneiras para saber com que idade deveria colocar seu filho no curso. Ao saber que o futuro aluno estava com três meses de idade, ela respondeu: "talvez já seja muito tarde".

Não morra de vergonha se seu filho deu um vexame na frente de seus amigos. Não valorize os erros nem dê bronca em público. Nunca trate nenhuma criança como se ela fosse uma débil mental. Elas entendem tudo. Use sempre um bom vocabulário, isso aumenta a capacidade linguística das crianças. E não fique para morrer de culpa, se algum dia precisar frustrar seu filho, tipo promessa que não pôde ser cumprida etc. Apesar do que dizem os especialistas, uma frustraçãozinha de vez em quando prepara a criança para aprender a suportá-las, quando no decorrer da vida elas (infelizmente) acontecerem.

Eu adoro meus filhos. Você deve adorar os seus. Mas nem por isso a gente deve abrir a carteira e mostrar aquela foto pequenininha, em que todas as crianças são absolutamente iguais. E foto de bebês? Não vamos obrigar o nosso próximo a dizer "que gracinha", ok?

Ensine, obrigue seus filhos a cuidarem da bagunça que fazem. O copo de Coca-Cola? De volta para a cozinha. A revistinha que acabou de ler? Para o quarto. A lista não teria fim, porque a imaginação de uma criança para instalar o caos onde quer que esteja é também infinita.

Alguns mandamentos:

· não sair para se servir correndo na frente dos outros. O ideal, aliás, seria que as crianças, até uma certa idade, fizessem as refeições antes dos adultos, com as mães ao lado, patrulhando as boas maneiras.

· não deixar cair um grão de arroz sequer na mesa.

· não encher demais o prato. Se encher, que coma tudo.

· usar sempre o guardanapo.

· a partir dos cinco anos, não cortar a carne toda de uma vez. Cinco? Talvez eu tenha exagerado. Sete.

· pedir licença para se levantar quando a refeição terminar. Para evitar aquela tortura de ficar na mesa até a hora do café, um suplício.

· não bater a porta do quarto com estrondo, nem quando brigar com o irmão.

· ficar mudo, estático, dentro do elevador.

. não chamar a amiga da mãe de tia. Aliás, não chamar ninguém de tia, a não ser as tias de verdade.

· sentar à mesa devidamente penteados, mãos limpas.


Elas gostam de passar no espaço de 15 centímetros que existe entre o sofá e a mesa, brincam de pique numa sala de dois por três, colocam a cadeira na frente da televisão, se penduram nos lustres, pintam as paredes da sala, o teto etc. E tudo aos gritos. Penso que esta talvez seja a fase de maior energia do ser humano. É a idade da guerra dos travesseiros, das almofadas que voam pela janela. Jovens pais adoram essas traquinagens. Tudo bem. Mas não ache estranho se um de seus amigos não curtir tanto quanto você essa fase tão adorável de seus filhotes. Crianças são difíceis mesmo, é preciso muita paciência para aguentar o que elas frequentemente aprontam.

O problema de relacionamento entre crianças e adultos é uma questão de energia vital. Enquanto certos adultos adoram preguiçosamente prolongar uma refeição batendo papo, as crianças ficam indóceis. Se são obrigadas a ficar, começam a despejar sal na mesa, quebrar palitos e botar dentro do saleiro, mostarda na Coca-Cola etc. Daí a razão de separar as crianças dos adultos na hora das refeições.



Mas os pais combinam com alguns amigos que têm filhos mais ou menos da mesma idade, e vão enfrentar a guerra. As crianças, é claro, não se simpatizam nem se olham. Falar, nem pensar. Os adultos, já grilados, redobram as atenções, ninguém come em paz. Clima tenso. Como as crianças comem pouco e depressa, ficam impacientes para se levantar da mesa. Os pais, aliviados, concedem a permissão. Pensa que está tudo em paz? Aguarde.

O filme continua. Seis ou sete crianças se juntam imediatamente às 347 das outras mesas e começam todas a brincar no meio do restaurante. Se tiverem levado patins, skates, pranchas de surfe, melhor ainda. Fica aquela churrascaria animada, picanhas sangrando nas camisas dos guris, gritos lancinantes, algazarra geral. Um garçom não muito paciente poderia até assassinar uma delas com o espeto. Perigoso e nada impossível. Mas uma das crianças não enturmou, nem nessa hora. Vai ficar na mesa, com a cabeça recostada, dizendo, de dois em dois minutos, "quero ir pra casa". E torna a repetir, bem devagarzinho, "quero ir pra casa". Resultado: desestabilização emocional de todos os presentes.

Bom, por que falei tudo isso? Simples. Para que todos compreendam, numa boa, que juntar crianças com adultos não costuma dar pé, que isso é natural e não há por que dramatizar.

Em compensação, na frente dos netos, faça tudo o que não deve - e muito mais. Netos costumam adorar avós - digamos - fora dos padrões. É que eles sabem que vão poder contar com elas como fortes aliadas, nas crises de caretice dos pais. Cruel? Não, apenas verdade. E mais. Isso é que faz o equilíbrio da vida.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dica Finesse do Dia - Convivência em Casa


Dicas bem-humoradas de Danuza Leão para viver o melhor possível com alguém debaixo do mesmo teto:

Talvez fosse mais simples obrigar um tamanduá a dividir a mesma toca com uma ariranha do que encontrar o segredo da convivência mútua entre os tais humanos. Morar junto é padecer num paraíso ou pisar em ovos constantemente. Morar junto pode ser glorioso.

Claro que é complicado. Um gosta de gato, o outro de cachorro. Um come carne vermelha, o outro só come peito de frango. Um gosta de Nova York, o outro de Paris. Um adora cinema, o outro só vai a teatros. Não é fácil, temos que admitir. E como fazer? Alguém vai ter que ceder, claro. Por que não você?


Nunca fale mal do seu parceiro com ninguém. Casais devem jogar no mesmo time.

Humilhar a pessoa com quem se vive é, para além da discussão sobre os sentimentos, muito, muito mal educado.

Elogie sua mulher, sua namorada. O vestido, o penteado que ela mudou.

Se você vai fazer uma plástica, é aconselhável que, na volta do hospital, um dos dois vá passar uma temporada em casa de amigos, ou num hotel. Só apareça quando a derradeira mancha roxa já tiver desaparecido. Nada do marido participar da sessão-
curativos, sabendo de pormenores tipo onde puxou etc. Enquanto espera, namore pelo telefone, é uma total delícia.

O rímel, na manhã seguinte, transforma-se em grande inimigo da mulher. Em compensação, óculos escuros são grandes aliados. Durma sempre com eles na mesa de cabeceira. E uma máscara, no caso do outro gostar de ler antes de dormir.


Tenho uma amiga que põe o alarme do seu microdespertador para soar 15 minutos antes do amado acordar. Esse despertador toca tão baixo que só o coração de uma mulher apaixonada consegue ouvir. Aí, ela penteia os cabelos, dá um jeito no rosto, escova os dentes (só com água, para não dar bandeira), volta para a cama e finge lindamente que ainda está dormindo. Supergracinha, ela fazer tudo isso. Mas também esse homem deve merecer, não é mesmo?

Nada mais insuportável do que mau humor matinal. Pior só mesmo bom humor em excesso, aquele que já acorda de bem com a vida, brincando e cantando no chuveiro. Que tal um pacto de silêncio durante os primeiros 60 minutos depois de abrir os olhos, até voltar ao normal?

Dormir junto é ótimo. Acordar junto, nem tanto. Só que ainda não foi descoberta a solução desse problema.

Capítulo louça suja na pia. São dois pratos, dois garfos, duas facas, dois copos. Tão mais fácil lavar do que discutir a igualdade dos sexos. Antes do ataque feminista: você não lava um pratinho, com o maior prazer, para sua irmã, seu
filho, seu amigo? Por que não o do homem que você ama?

Mas se foi o homem quem sujou o tal pratinho, ele também pode passar uma aguinha e deixar tudo em ordem. Afinal, sua amada não é nem sua escrava nem sua mãe.

Morar junto exige manter a geladeira em ordem. Compre recipientes especiais para guardar as coisas. Melhor: faça como os europeus. Compre hoje apenas o que vai comer hoje. Assim vocês terão tudo sempre fresco e sem aqueles horrores de sobrinha de arroz, sobrinha de um legume, sobrinha de sei lá o quê. Separe numa prateleira os doces, as frutas. Na outra os molhos. Organize, tenha orgulho da arrumação de sua geladeira.

Por maior que seja a intimidade (e morando juntos costuma ser bem razoável), calcinha e sutiã na cozinha não dá. Nem cueca. Aliás, nem morando sozinha: apenas uma questão de estética.


Façam o possível para que cada um mantenha um canto só seu, mesmo que esse canto seja mínimo. Procure cada um conservar seus amigos, prazeres e atividades, sem aquela de ter que compartilhar tudo com o parceiro. Não abra mão de ter sua vida própria, passeios, almoços, amigos, cinema, cooper, o que for. Isso não deve ser computado como vida secreta, são apenas prazeres pessoais que qualquer pessoa tem o direito de ter. Mesmo em casa, tenha atividades só suas: armar um puzzle, limpar o som, costurar, ouvir música, qualquer coisa.

Aviso às mulheres que fogem da cozinha: aprendam alguma receita, ponham o nariz nas panelas, é uma delícia.

Aconteceu. O que pode acontecer, com duas pessoas que moram junto, namoram, convivem, ou são apenas amigas: um desentendimento, uma rusga, um malentendido, o que for, com ou sem razão, culpa de um ou de outro. Mas vocês se entenderam, se desculparam, se perdoaram. Então, regra de ouro: não se fala mais no assunto. Nunca
mais, entendido?

Torne sua casa o melhor lugar do mundo. Falta de dinheiro? É desculpa. Você sempre poderá fazer alguma coisa para melhorar, embelezar, mesmo com pouca grana. Que ela seja o lugar onde você chega sempre com grande prazer, onde se sente melhor, protegida de tudo e de todos.


Banheiro


Seja na cása de sua maior amiga, no avião ou em sua própria casa, deixe o banheiro impecável, ao sair. Nenhum vestígio de sua presença, aja como se tivesse acabado de cometer um assassinato. Só não se preocupe com as impressões digitais.

Enxugue a pia e a banheira por dentro, assim que terminar de usá-las. Lave o sabonete e cuidado com aquela espuminha hedionda que costuma ficar.

Tire qualquer fio de cabelo da escova, nem que seja apenas um.

Esprema o tubo de creme dental do fim para o começo. E feche depois de usar.

Nunca deixe o tapete amarfanhado, estenda-o em algum lugar.

Se raspar a perna ou fizer a barba e a água acabar, limpe tudo, nem que seja com saliva. Vai demorar, mas é o único jeito.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Dica Finesse do Dia - Etiqueta no Trabalho


Seguem algumas dicas de Danuza Leão para sobreviver ao dia-a-dia no escritório:

Tudo que é visto, lido, ouvido ou pressentido num escritório torna-se sigiloso. Secretária alguma deve ter cumplicidades, fazer comentários nem lançar sorrisos compreensivos para seu chefe. Neutralidade acima de tudo. A melhor política é a da pouca intimidade. Com o chefe, a esposa do chefe, os filhos do chefe.

Não passe a segunda-feira contando o seu fim de semana.

Não fique pendurada no telefone, namorando.

Ao chegar ao trabalho, cumprimente todos como se o mundo estivesse correndo às mil maravilhas. Não fique se queixando da vida.

Nem conte para seu patrão que o colégio das crianças aumentou, o plano de saúde também. Peça o aumento sem precisar entrar em detalhes, você vai ter mais chances de conseguir.

Seja boa colega de trabalho. Se ofereça para quebrar um galho, seja leal com os companheiros. Nunca faça comentários desagradáveis sobre a firma em que trabalha, sobre seu chefe. Corredores e bebedouros têm ouvidos. Cuidado, emprego está difícil.

Não venha com a história de "meu chefe implica comigo". Nunca houve chefe que implicasse com um bom funcionário que trabalha bem e não cria caso. Faça uma autocrítica e pense se isso não passa de desculpa para você mesma.

Quando você for presidente da República e reunir seu ministério, atenção: a cada duas horas, as pessoas (até para se refazerem e conseguirem produzir mais) precisam de minutos de descanso. E se a reunião começou de manhã e varou a hora do almoço, o mínimo da boa hospitalidade obriga a uma rodada de sanduíches e refrigerantes, antes que caia a primeira vítima. Não fazer isso é sinal de prepotência e despotismo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dica Finesse do Dia - Dando uma Festa ou Jantar


Danuza Leão dá dicas de como receber com elegância:

Festa em Casa:

Se na sua casa faz muito calor e você não tem a felicidade de dispor de um ar-condicionado na sala, adie toda a sua vida social para o outono. Dramático gente pingando - mesmo fazendo ginástica.

Evite flores perfumadas, ou você já sabe o que fica parecendo.

Um prato interessante e uma salada verde são o suficiente para um simpático jantar, quando você não tem um grande staff de empregados. Sejamos francos: quando não tem nenhum. Tá bom: então, dois pratos e uma salada. Um deles pode ser uma massa. Prefira os que dispensam o uso da faca, se vocês não vão comer na mesa. Uma sobremesa, algumas frutas (das fáceis), e fim de papo.

Também é possível reunir amigos combinando cada um trazer uma coisa. Ou pelo menos a sobremesa. Para a dona de casa que cozinha, um trabalho a menos. Não se esqueça
de devolver o prato, pouca gente lembra. E é sempre aquele pirex que a gente adora.

Tragédia! O rosbife queimou. Tragédia? Depende. Chegue na sala com um grande sorriso, diga que se distraiu, tão boa estava a conversa e ponha em votação: pizza,
lasanha ou um espaguete que você descobriu no fundo do armário? Você verá que todos vão se envolver, talvez até mesmo um mais prendado se proponha a fazer o molho
para a massa com o que houver na geladeira. E vocês ainda vão rir e se divertir muito. O importante - não se esqueça - é ter charme.

Se na sua casa existir um único banheiro, no dia de receber os amigos elimine qualquer vestígio dos objetos de uso estritamente pessoal. Escova de dentes, desodorante, Plax, creminhos, gilete, tudo isso sai fora e dá lugar a um jarrinho com flores, que tal? E não se esqueça de trocar o sabonete por um novo.

As pessoas recebem mais frequentemente para jantar. Mas adoro quando me convidam para um almoço (talvez porque eu não goste de dormir tarde). É supersimpático, num sábado, tipo três horas, todo mundo acordou tarde, se foi à praia já foi, se está chovendo melhor ainda, ninguém tem mesmo empregado no fim de semana, quem almoça às cinco não precisa se preocupar com o jantar, muito agradável a ideia.

Teste sempre sua receita, nunca invente novidades no dia em que está recebendo amigos. Evite o que tem que ser feito na hora, tipo suflês, frituras. A não ser que você tenha uma supercozinheira ou que não possa viver sem se preocupar, sem sofrer. Escolha os chamados "pratos que podem esperar". Goulash, arroz de mariscos, galinha ao curry - e uma bela salada verde. Tenha sempre comida e bebida a mais, pode sempre acontecer chegarem mais algumas pessoas.

Qual a lembrança que fica de um jantar? O serviço perfeito? As louças valiosas? A prataria preciosa? O requinte dos pratos? Esse conjunto é realmente sedutor. Mas ao lado de todas essas maravilhas é preciso que haja aquela mágica, que não depende da dona da casa, nem dos convidados. Quando acontece, o jantar se torna aquele acontecimento, do qual você nunca vai se esquecer.



Dando um Jantar (Com Grana):

Para um jantar de 15, 20 pessoas, convide oito dias antes. Quanto maior for, mais antecedência para convidar. Em jantares de improviso, vale até no mesmo dia, não esquecendo, claro, de dizer que acabou de resolver.

Ao convidar, sempre teleÌone pessoalmente. Sendo um jantar muito grande e que por isso você convidou com grande antecedência, mande um pour mémoire depois do
convite ter sido aceito. (Para quem não sabe, pour mémoire é um cartão impresso, com espaços em branco para especificar, à mão, se é jantar, almoço, coquetel, dia, hora,
traje.)

Explique sempre a razão do jantar: recebi um salmão, um amigo que chegou, comemorar as eleições na África do Sul, os 200 anos da Revolução Francesa, não importa. Diga o traje e cite algumas das pessoas que vão estar presentes, sobretudo se o jantar for pequeno. Se o convidado não aceitou e mandar flores no dia, é a perfeição.

Nunca se deve perguntar quem são os outros convidados. Cabe a quem convida dar uma panorâmica (sem precisar ler a lista inteira).

Quando se manda convite com as letras RSVP (Respondez, S'il Vous Plait: responda, por favor), espera-se a resposta com certa rapidez. Ajuda quem está convidando
na previsão da bebida, comida, garçons. Sem contar que, se receber 20 respostas negativas, são mais 20 pessoas que poderão ser convidadas.

Escolha com atenção os convidados de sua festa. Deve haver um mínimo de harmonia entre eles; mas também, harmonia demais ninguém aguenta. Chame também gente polêmica, costumam ser o sal de uma festa.

Quando você telefonar para convidar, mostre o prazer que sentiu pelo convite ter sido aceito. Lamente quando a pessoa não puder comparecer.

Nunca telefone para alguém que está dando uma grande festa na véspera ou no dia, para forçar o convite. Quando isso acontece comigo (nos dias que precedem festas é
imprudência atender ao telefone), quem atende pergunta quem quer falar. Se não quero mesmo convidar, mando meu pedido de desculpas e digo que falo depois. A não ser,
claro, se for alguém que: deixei de chamar por distração, escleroSe, isso pode acontecer. Nesse caso atendo e peço desculpas, explico, convido, insisto.

Um de seus eonvidados telefona para perguntar se pode levar um amigo, amiga. O pedido só se justifica se for alguém que os donos da casa não conheçam. E se o jantar
for suficientemente grande para não criar problema. Nunca leve sem perguntar, não pega bem.

Mas seu convidado nem telefonou e já chegou com a amiga a tiracolo. Mostre-se encantada: procure conhecer melhor essa pessoa. Ela pode ser encantadora e até - quem
sabe -, vocês podem se tornar amigas, por que não? Aposte no inesperado, você pode ter boas surpresas.

Aquele casal se separou e você está dando um jantar, o que fazer? Bem, a não ser que você seja declaradamente mais amiga de um dos dois, convide o que está precisando
mais de se distrair, de uma força. Até pode perguntar "algum problema, se eu convidar seu ex?" Se tudo bem, maravilha. Se não, tudo bem também. Pode até dizer para o outro (o excluído) que, como ele está numa boa, ficou para o próximo. E ponto final.

Jamais comece a convidar com a frase "o que você vai fazer na quinta-feira?" Essa pergunta é uma cilada, pois só comporta dois tipos de resposta. Ou "tenho um jantar" ou "nada", o que é um grande risco. Já pensou se te convidam para um baile funk, para ser jurado do concurso de Miss Verão, ou um campeonato de tranca?

Avise, se for servir um prato pouco banal, tipo cérebro de sagui, cuscuz marroquino ou mesmo um singelo vatapá. Quem aceitar o convite, mesmo com horror, fica caladi-
nho, come em casa antes e na hora finge que come, nunca obrigando o anfitrião a preparar um pratinho só para ele. Se os pratos forem à base de alho (que delícia), é bom avisar também. Alho - ou comem todos, ou não come ninguém. Mesmo em restaurantes. Para quem come, um copinho de leite depois. Não resolve, mas ajuda.

Frutas a serem servidas num jantar, pela facilidade: caqui, figo, uva, cereja, morango. Já preparadas para virem à mesa: manga, melão, melancia, laranja, abacate, kiwi,goiaba.

Se você algum dia deu um jantar, então sabe o que é a solidão da manhã seguinte, quando você está louca para comentar o que se passou, saber o que as pessoas acharam,
se tudo funcionou bem etc, e ninguém telefona. Eu fico arrasada. Pense nisso e, sendo a anfìtriã sua amiga, ligue - ela vai adorar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dica Finesse do Dia - Sendo um Convidado Elegante



Livro de Danuza Leão, novamente arrasando em suas dicas:

Quem aceitou um convite para jantar, se tiver que desmarcar, que o faça com boa antecedência. No dia, na véspera, só por razões fortíssimas. Nunca deixe o recado com a empregada. Se atender a secretária eletrônica, adiante o assunto e diga que telefona depois para explicar o imprevisto. Telefone mesmo. E ainda: mande flores no dia, lamentando o possível transtorno.

Seria desnecessário falar sobre isso, mas tem gente que, sabendo que o jantar é grande, não vai, não avisa que não vai e não telefona para se desculpar e dizer por que não foi. Sem comentários.

Quando o jantar for para umas 20 pessoas, dá para sair sem se despedir- embora não deva. Se for para muito mais de 20, não só pode como deve. Em ambos os casos, telefone no dia seguinte agradecendo, ou agradecendo e se desculpando, se for o caso. Resolvendo se despedir, tudo rápido, não se esqueça de que a festa continua rolando.

Pessoas são convidadas não para serem alimentadas, mas para contribuir de alguma maneira com o sucesso da reunião. Com seu charme, sua beleza, sua inteligência, sua capacidade de serem divertidas. Faça sua parte com brilho.

A casa em que você foi jantar não tem empregados. Nem ofereça: vá logo ajudando a tirar os pratos da mesa, veja se precisa mais gelo, limpe os cinzeiros. Os homens também podem ajudar - sabiam, rapazes?

Jamais pergunte a alguém "você vai ao jantar de Regina?" Se a pessoa não foi convidada, vai ficar meio assim. A propósito: houve um tempo em que, quando alguém não era convidado para uma festa, a criatura se trancava em casa e mandava espalhar que tinha viajado. Dura a vida social, não?

Dieta! Ou você é mesmo complicada para comer? Em qualquer dos dois casos, alimente-se antes em casa, mas sirva-se e finja que come. Não se torne um problema para a dona da casa.

Certos puristas aconselham a não elogiar o que se está comendo enquanto ainda na mesa - só depois de se levantar. Para que a conversa não descambe na receita etc.
A maldita síndrome de dona Benta.

Só se sente à mesa depois da dona da casa. Só se levante também depois dela.

Menos costuma ser mais em festas ou jantares. Comer de menos. Beber de menos. falar de menos. Se exibir de menos. Permanecer menos. Seguindo essa orientação, você jamais terá motivos para se arrepender. (Mas também vai se divertir bem menos, garanto.)

Se você foi convidado mas não está com a menor vontade de ir, arranje uma desculpa decente. Não vale dizer que na quinta-feira da semana que vem vai ficar doente ou tem um enterro.

Chegando a uma festa, primeiro dê uma volta, fale com as pessoas. Circule. Nada pior do que convidados que chegam cedo, se sentam e ficam só olhando, observando, comentando.

Não alugue a dona da casa com assuntos longos. Ela é uma só para dar atenção a todos os convidados.

O assunto esfriou? Tire da cartola algo bem polêmico. Provoque - educadamente, claro - as pessoas.

E não esqueça: todas as regras podem ser quebradas. Mas é preciso uma enorme experiência social para fazê-lo com sucesso.

domingo, 3 de abril de 2011

Dica Finesse do Dia - Sendo um Bom Hóspede de Fim de Semana


Dicas de Danuza Leão para se comportar em um fim de semana fora:

Muito bem, você foi convidado para um fim de semana, na praia ou no campo. Sua primeira pergunta deverá ser: o que Ievo? Se não for preciso levar nada, chegue com alguma bebida, uns chocolates, uns queijos, umas revistas. Seja criativo. ,Se resolverem democraticamente dividir as compras, não se esqueça de nada que ficou sob sua responsabilidade. E apareça com mais algumas coisinhas, além do combinado. Abastecendo o carro na estrada, proponha dividir a despesa da gasolina.

Se souber cozinhar, cozinhe. Se não souber, descasque os legumes, lave os pratos. Se não souber fazer nada, ocupe-se do bar, da música, faça gracinhas, conte histórias. Mantenha-se por perto. Nada de ficar na rede lendo um livro enquanto os outros trabalham. Participe, seja de que maneira for.

Você é dos que costumam acordar cedo. Pois bem, aproveite para sair (em silêncio), compre os jornais, traga um doce, uma linguicinha, qualquer coisa da região.

Se você pegar um livro da estante e quiser levá-lo para acabar de ler, comunique, peça à dona da casa. E não se esqueça de devolver.

Um bom hóspede deve ser bem-humorado e muitíssimo bem-disposto. Pronto para, se for mesmo preciso, andar de bicicleta, escalar um morro para ver o pôr do-sol, ajudar a consertar a lancha, fazer canoagem, madrugar para ver tirar o leite da vaca. Faz parte.

Antes de aceitar o convite, pense bem se você vai aguentar o grupo o fim de semana inteiro. Há casos em que voltam todos inimigos. Fins de semana são testes perigosís-
simos.

sábado, 26 de março de 2011

Dica Finesse do Dia - Como Ser um Bom Anfitrião


Mais alguns trechos de um livro de Danuza Leão sobre a arte de receber alguém em casa:

Quando você hospeda alguém deve tratá-lo como um rei. Se maltratado, um hóspede se sente o mais miserável dos seres humanos. E não vai saber como agir. Se faz as malas e vai para um hotel, é a ruptura. Se fica, sente o clima tenso, pesado. Diante disso, se você, por motivos que não vêm ao caso, não está contente de ter seu hóspede, mantenha o sangue frio. Controle-se e que o clima fique ameno e civilizado até o momento de deixá-lo no aeroporto. Aí,sim, você pode respirar fundo e pensar: nunca mais. Para sua tranqüilidade: sendo pessoa sensível, seu hóspede provavelmente estará, no mesmo momento, pensando também: nunca mais.

Dê a chave da casa para seu hóspede.

Diga a hora em que você costuma almoçar e jantar.

Pergunte o que ele costuma tomar no café da manhã e providencie.

Pergunte se ele gostaria de conhecer ou visitar algum lugar especial da cidade.

Caso o banheiro seja de uso comum, coloque no quarto uma toalha de banho e uma de rosto. E troque pelo menos a cada dois dias.

Explique a seu hóspede a que horas a portaria fecha, se existe algum problema de água quente, enfim, o funcionamento da casa, empregados, roupa para lavar etc.

Promover uma pequena reunião ou jantar para apresentar seu hóspede a seus amigos é muito simpático. Dependendo da intimidade e da situação financeira de quem hospeda, o hóspede pode/deve se encarregar das bebidas, flores, até ir para a cozinha cuidar de um prato em que seja expert.

Se você recebe um convite para jantar, quando for possível pergunte se pode levar seu hóspede.

Agrade seu hóspede. Se você chegar em casa e disser "olha o que comprei para você, um pão fresquinho", ele já vai se sentir feliz de ver que você pensou nele.

Na hora das despedidas, que seu hóspede fique com a sensação de ser querido e amado. Tão boa essa sensação...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Dica Finesse do Dia - Como Ser um Bom Hóspede


Seguem alguns conselhos importantes dados por Danuza Leão em um de seus livros, indicando que atitudes tomar para ser um hóspede que deixa saudades:

A primeira coisa que o hóspede deve deixar claro é até quando vai ficar. Esse detalhe deve ser esclarecido antes da chegada, de preferência. Já pensou, um hóspede que você não sabe quando vai embora? Se ele não disser o tempo da permanência, pergunte sutilmente, insinue que você talvez tenha que viajar, que outros amigos talvez cheguem, que você precisa saber para combinar as férias da empregada etc.

Se você, ao se hospedar, pretender estender a permanência, pergunte se não vai causar transtorno. Só fique se sentir que esses dias a mais vão ser um prazer para os donos da casa. Caso perceba qualquer mudança no olhar, modifique seus planos e encerre a temporada na data prevista. Ou até antes.

Não chegue de mãos vazias. Traga algum presente, ou dois ou três.

Use pouquíssimo o telefone.

Nunca faça interurbanos, só a cobrar - claro. O telefone está caríssimo e se você fizer a gracinha e quem te hospeda te der um puxão de orelhas, se toque, peça desculpas, e interurbano never more.

Você é daqueles que de manhã come iogurtes especiais e coisas exóticas? Então compre e ofereça. Mas cuidado para não atravancar a geladeira da casa.

Em hipótese alguma deixe objetos de uso pessoal espalhados pelo banheiro, a não ser que este seja só seu. Escova de dentes, de cabelo, creme dental, sabonete, volta tudo para o quarto, dentro do necessaire, certo?

Evite receber visitas. O hóspede que precisa encontrar um amigo ou rever um parente deve marcar o encontro num café, num restaurante. Não é muito agradável chegar em nossa própria casa e dar de cara com um grupo que a gente nem conhece, instalado na sala, fumando e bebendo.

Tenha um comportamento discreto enquanto hóspede. Nada de tentar criar um clima festivo o tempo todo. Lembre-se de que só você está de férias e que as pessoas têm uma rotina de vida.

Traga com alguma frequência um presentinho da rua. Frutinhas, um queijinho, bobagens tipo um biscoito, até um pãozinho fresco. Seja o que for, mas sempre de comer ou beber.


Não fique muito em casa. Saia, vá ao cinema, passeie, ocupe-se, não vire uma preocupação para quem te hospeda.

Gratifique os empregados, parte na chegada, parte na saída. Quando estiver hospedado na casa de pessoas que não têm empregados, faça sua cama e deixe tudo na mais perfeita ordem. Quando sair, nunca tranque seu quarto com chave.

Se normalmente você almoça e janta em casa, no dia em que resolver mudar seus planos, telefone avisando. Avise também quando resolver fazer um pouco de boemia, para que: não te esperem e não se preocupem. Chegando muito tarde, entre em casa tão silenciosamente quanto ladrões profissionais.

De vez em quando convide quem te hospeda para jantar fora; seu anfitrião vai gostar.

Nunca saia do quarto para ir ao banheiro, à cozinha, o que for, sem estar adequadamente vestido.

Encerrando a temporada, escreva ou telefone dizendo o quanto adorou, agradecendo etc. E também para oferecer sua casa, claro.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dica Finesse do Dia - A Arte de Viajar com Pessoas


Seguem alguns trechos de dicas valiosas de Danuza Leão, publicadas em um livro de sua autoria:

Duas pessoas se adoram, vão viajar juntas e não dá certo. Acontece. Uma adora comer bem, a outra não liga e quer emagrecer. Uma adora compras, a outra detesta sequer olhar vitrines. Uma acorda já querendo ir para a rua, a outra precisa de um tempo. Uma entra nos toaletes dos cafés o dia inteiro, enquanto a outra espera na calçada, impaciente. E gente que quer visitar igrejas, monumentos? E gente que pede "tira uma foto minha perto da torre Eiffel"?

Se você quer ver seu marido à beira de um ataque de nervos, leve-o às Galeries, Lafayette para umas comprinhas leves, tipo maquiagem, meias etc. Se ele resistir 15 minutos, merece um prêmio (é tudo brincadeira, nunca faça isso com um homem com quem você pretende continuar a viver). Homens têm horror a lojas (a não ser as de eletrônica, papelaria, vídeos, e tudo o que diz respeito a seus hobbies).

Em viagem, as pessoas ficam muito tempo juntas, para não dizer o tempo inteiro. Até casais casadérrimos passam a ter uma convivência muito maior do que na cidade onde moram. E aquilo que não é problema em circunstâncias normais vira uma complicação quando se viaja. E aqueles que ficam indecisos para escolher uma roupa, um cinema, até mesmo um prato no restaurante? E gente que não quer ficar sozinha nunca? E gente que quer voltar na loja para trocar uma compra feita dois minutos atrás? E gente que não tem paciência para nada disso?

Olha, é bom pesar tudo isso antes de embarcar. E gente que está sempre muito cansada? E gente que não cansa nunca? É uma delícia ter amigos na cidade em que se está, mas cada um no seu hotel, chegando e voltando em aviões diferentes, para descaracterizar qualquer compromisso.

Se você é muito rico e convidou alguém para viajar, suas obrigações naturais de gentileza dobram. Nada mais terrível do que o clima, mesmo sem palavras, do "mas sou eu quem está pagando", na hora da escolha de cinemas, restaurantes etc.

Quem viaja com muito pouco dinheiro deve levar seu xampu, creme, pasta de dentes, sabonete. É uma delícia comprar tudo nacional - lá -, mas fica caro.

Companheiros de viagem que roncam, nada a fazer. Quartos separados ou bolas de cera para os ouvidos.

Viajando com amigos, seja supercorreto com as contas. Divisão de despesas de táxi, lanches, etc. Procure ter sempre notas de diversos valores, para evitar aquele "me empresta $x dólares, depois te pago". Às vezes esquecemos de devolver esses pequenos empréstimos, até mesmo por serem pequenos. Uma sugestão é a caixa única. Cada um
coloca uma determinada quantia que será administrada para despesas comuns. Ao final de cada dia, faz-se a conta para evitar surpresas. E se sua amiga esqueceu, é a boa hora de dizer "você me deve $x dólares". As boas contas fazem os bons amigos.

Difícil duas pessoas de situação econômica muito diferente viajarem juntas sem problemas. Alguém vai ter que sair do seu padrão e não será, seguramente, a mais pobre.

Dividindo um quarto de hotel, que a ordem seja rigorosa. A única bagunça aceitável é com aqueles pacotes de compras que você acabou de trazer da rua. Tempo para pôr tudo no lugar: 15 minutos

Tenha sempre no quarto uns biscoitinhos, uns chocolates, para a fome da madrugada.

Combinem de véspera a programação do dia seguinte. Se vai cada um para o seu lado ou o quê.

Não se esqueça de levar: tesourinha, pinça, agulha, linha, dois pares de óculos (pode quebrar ou perder), remédio para dor de coluna, tranquilizantes. Cartões, se precisar mandar umas flores, endereços e números de telefones dos amigos, listas de preciosos restaurantes etc.

Detalhe: nunca se deve subir num quarto de hotel sem avisar antes, da portaria.

Esteja você viajando com amigos, namorado, marido, o que for: sua passagem, seu passaporte, seu dinheiro, tudo na mão. E se houver uma briga? E se? E se? E se?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dica Finesse do Dia - Etiqueta Dentro do Avião


Outros trechos de um livro de Danuza Leão, falando sobre o comportamento esperado em viagens de avião, agora que elas se tornam cada vez mais comuns:

Uma cabine de avião não passa de um grande dormitório, onde você divide intimidades com pessoas que nunca viu. Procure evitar, dentro do possível, que a promiscuidade se instale dentro desse espaço reduzido, para que a viagem não se transforme num inferno insuportável.

Durante o vôo, coma pouco. Beba pouco. Assim você diminui os efeitos do jet lag. Não se comporte tipo "quero tudo a que tenho direito".

Procure se manter no seu espaço, sem incomodar o vizinho. Se avistar um amigo três filas adiante, não chame em voz alta, não faça sinais.

Papeizinhos de amendoins, head-hones, envelopes de tissues, tudo na maior ordem possível. A manta, dobrada.

Tenha sempre uma caneta à mão, para não ficar pedindo emprestada.

Dobre os jornais depois de ler.

O suéter que você usou, de volta na sacola de mão.

Escova de cabelo sempre à mão, mas nunca à vista.

Nada de ir descalço ao banheiro, mesmo que seus pés estejam inchados a ponto de gangrenar, pensasse nisso antes. Da próxima vez, use sapatos mais confortáveis.

Pouca bagagem de mão, para não incomodar o vizinho.

Deixe o banheiro impecável, depois de usar. Seja rápido (deviam inventar uns comprimidos que fossem o oposto dos diuréticos, obrigatórios em viagens de avião).

Óculos escuros à mão. Ninguém é obrigado a ver sua cara na hora de acordar.

Nunca abandone sua bolsa com dinheiro na poltrona, enquanto desenferruja as pernas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dica Finesse do Dia - Ao Telefone


Mais alguns trechos de um livro de Danuza Leão:

É proibido telefonar:
- na hora do telejornal
- na hora da novela
- na hora do almoço ou do jantar
- para pessoas normais, antes das dez horas da manhã

Quando o assunto for longo, pergunte se a pessoa está com tempo, antes de engrenar.

Cabe a quem ligou ter a iniciativa de se despedir, de desligar.

Deixando o recado na secretária eletrônica, seja clara, máquinas não mordem. Quando deixar o recado com alguém, ajude, dizendo: "Vá buscar lápis e papel, eu espero. 'tudo em cima' então anote". Fale devagar e depois repita o número. Eu perco vários recados quando falam o número muito rápido. Quando tem ramal, pior ainda.

Recebendo telefonema interurbano ou internacional, não prolongue a conversa. Afinal, é o outro que está pagando. Não aproveite o telefonema do amigo para mandar recados, pedir coisas.

Ainda sobre telefonemas longos: recebendo de alguem que você sabe que não tem muito dinheiro, faça esta gentileza: pergunte "em que telefone você está? Te ligo já". E ligue de volta. É o máximo quem faz isso.

Nunca deixe telefonema sem resposta. Por outro lado, se você liga duas ou três vezes e a pessoa não retorna o chamado, você não tem a menor obrigação de ligar de novo.

É claro que nunca se faz um DDI fora de sua própria casa. Só mesmo em caso de urgência, e a cobrar.

Ao atender a um telefonema, não comece compulsivamente com seus assuntos. Afinal, quem ligou, se ligou, foi porque tinha coisas para falar. Telefonemas, mesmo locais, são cobrados por minuto. Ligue-se.

Não telefone para a casa de pessoas com quem você tem negócios, mas não uma relação pessoal, a não ser em caso de extrema necessidade.

Cuidado com telefonemas para médicos, analistas. Veja se precisa mesmo ligar, se precisa mesmo incomodar.

Ensine sua empregada a atender ao telefone. Primeiro ela diz que você não está, e só então pergunta o nome, e se não quer deixar recado. Nunca o contrário.

Se alguém atender o telefone na sua presença, procure se afastar, vá passar um blush, tomar um copo de água. Mesmo que você ouça "Matou? Com três tiros? que loucura! ", não comente, não pergunte. Uma pessoa verdadeiramente educada, nessa hora, fica completamente surda.

Se alguém telefonar e a pessoa chamada estiver no banheiro, anote o recado na perfeição, mas não a chame. E também não diga por que não pode chamar, diga apenas que ela está ocupada.

Se alguém te telefona para fazer um convite, não prolongue a conversa, ela deve ter mais uns 200 telefonemas para dar, compreenda e seja breve.

Quando estiver em casa de um amigo, só use o telefone em caso de real necessidade, e rapidinho. E quando estiver recebendo um amigo em sua casa, se atender a algum telefonema, diga que não está podendo falar, que liga depois.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dica Finesse do Dia - Mesa & Restaurantes


Mais alguns trechos de um livro de Danuza Leão:

Entrando num restaurante, o homem toma a frente, para falar com o maitre, escolher mesa etc. Também deve esperar a mulher se sentar e só depois se acomodar.

Sentados, que nenhum fique olhando em volta, como se procurasse alguma coisa. Dê toda a atenção à pessoa que está a seu lado. Faça com que ela se sinta especial, única. A não ser que você seja colunista social, e a trabalho.

Mesmo sem fome, peça alguma coisa, não deixe o outro comer sozinho.

Cuidado com os cotovelos. Só os apóie na mesa quando não estiver comendo.

Tomando sopa, o silêncio deve ser total. Que se possa ouvir o ruído do voo de uma mosca. Se a sopa vier num bowl (taça, xícara grande com asas), no final, você pode levá-la diretamente aos lábios, sem a ajuda da colher. Cuidado para não deixar a colher dentro da taça, é horrível.

Não se balance na cadeira.

Não tamborile na mesa com os dedos.

Mesmo que você adore comer, não se atire no prato como se estivesse saindo de uma greve de fome. Se você for mesmo um Pantagruel, coma uma coisinha antes de sair de casa. A não ser, claro, se for um jantar tipo Confraria dos Gastrônomos. Nesse caso, fique 72 horas sem comer, esperando o dia do jantar.

Será que é preciso dizer?

Não encha demais a boca.

Não mastigue de boca aberta.

Não fale de boca cheia. Mas aprenda a falar com alguma coisa na boca - desde que pouca. Ninguém vai ficar esperando que você mastigue, engula, e só então volte a falar. Treine em casa diante do espelho.

Nunca aponte para nada com o dedo - só para as estrelas.

Não gesticule nem converse com alguém do outro lado do restaurante. Peça licença e vá lá, se for o caso.

Não coma nada com as mãos, a não ser alcachofras e aspargos (mas quando os aspargos vêm como acompanhamento de uma carne, tudo de garfo e faca). Mas pode e deve, em nome do prazer, atacar uma asa de frango, ou a batata frita que passou diante de seus olhos - é irresistível. Em churrascarias, vale uma costelinha.

Lagostas, caranguejos nunca devem vir inteiros para a mesa. Só na beira da praia, com uma tabuinha e um martelo. Em Fortaleza, de preferência.

Se o seu garfo caiu no chão, que pena. Mas não se preocupe nem se abaixe para apanhar. Chame o garçom e peça outro.

Quando você perceber que um caroço de azeitona ou uma espinha de peixe foram parar dentro de sua boca, fique frio. Passe discretamente para o prato, fazendo escala no garfo. Se você sentir que vai sufocar, não hesite, grite por uma ambulância.

Ao levar uma porção à boca, que isso aconteça em cima do prato. Se por infelicidade alguma coisa escorregar do garfo, não cairá no seu colo nem no chão.

Pão, ovos e saladas têm horror a facas. Por isso, nada de folhas de alface inteiras, o melhor é que já venham rasgadas (com as mãos - e mãos muito limpas).

Quando for beber durante o jantar, passe o guardanapo levemente nos lábios antes de matar a sede.

Palitos. Não devia nem falar, mas vou. Nem pensar, mas nem pensar mesmo. Só escondida, trancada no banheiro, luz apagada.

Se estiver resfriada, não se esqueça de ter um lenço de prontidão. Não use, nunca, o guardanapo como lenço. Se tossir, mão na frente da boca. Se está assim tão mal, por que não ficar em casa lendo um bom livro?

Quando se levantar da mesa, nunca dobre o guardanapo. Que fique bem claro que ele não poderá ser usado novamente se não for lavado e passado.

O macarrão. Espete uma porção com a ponta do garfo, encoste-a verticalmente no prato, enrole. (Entendeu alguma coisa?) Observe os que sabem, quando estão fazendo alguma coisa que você não sabe. Ah, o macarrão: nunca ajude com a colher.

Quando for beber, ou comer um pedacinho de pão, descanse os talheres.

Terminou, garfo e faca no prato, paralelos - cruzar, jamais.

Antes da sobremesa, tudo o que diz respeito aos pratos de sal deve ser removido. Mostarda, azeite, vinagre e cia.

Não empurre o prato depois que terminar, é horroroso.

Uma pessoa realmente elegante nunca se irrita se a mesa que lhe deram no restaurante não é a mais bem situada. (Claro, o lugar em que estiver sentada passa a ser automaticamente o melhor.) Também não exige tratamento especial do maitre. E trata tão bem os garçons quanto o gerente do banco. E outra coisa: fala com os garçons olhando para eles nos olhos. Garçom é gente.

Mesmo que você tenha um compromisso depois do seu almoço ou jantar, não fique olhando para o relógio, em agonia. Dá a impressão de que você está louco para ir embora. Mesmo que esteja, disfarce.

Fale baixo. Em sua casa, na casa dos outros, em lugares públicos. É incrível o ruído que se ouve quando se entra em alguns restaurantes, sobretudo os não acarpetados.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dica Finesse do Dia - Gentileza no Elevador


Mais um trecho de um livro de Danuza Leão que tem informações úteis sobre como se comportar em um elevador:


Subindo num elevador, o homem deve segurar a porta para as mulheres,
os mais jovens para os mais velhos. Mesmo com pressa, ninguém vai perder mais de cinco segundos com essa delicadeza.

Quando alguém se apressa para alcançar o elevador, segure a porta para
esperar.

Se alguém, gentilmente, te der passagem para entrar na frente, aceite
logo, para não ficar aquele "não, por favor , depois de você". E
agradeça.

Ao entrar num elevador com ascensorista, agradeça, ou diga por favor,
quando pedir o andar. Já pensou o que deve ser essa profissão, o dia
inteiro trancado, subindo e descendo?

Você pode estar conversando um assunto palpitante. Entrou no elevador,
silêncio. Só retome o assunto depois de sair.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dica Finesse do Dia - Tratamentos


Alguns trechos de um livro de Danuza Leão, que tratam das sutilezas e do "feeling" que se deve ter na hora de tratar as pessoas:

Quando apresentar duas pessoas, procure dizer alguma coisa tipo "vocês
têm um amigo comum". Ou um hobby. Nunca uma namorada.

Se você encontra uma pessoa e percebe que ela não está te
reconhecendo, nada de "lembra de mim?; garanto que não está lembrando..."
Vá direto: "Lembra de mim? Sou fulano e nos conhecemos em casa de
beltrano em Paris". Caso contrário, seja franco, diga logo que você não
é bom fisionomista, está esclerosado, e acabe com a tortura.


Tratar uma pessoa mais velha por você é uma coisa que, contrariando
todas as regras, costuma alegrar muito o coração de um idoso.

Quando você chega a uma casa, bar ou restaurante e encontra um grupo
já instalado, não é preciso estender a mão ou beijar cada um. Dê um alô
geral, e tudo bem.

Um homem sempre se levanta para ser apresentado a uma mulher ou a um
homem mais velho. Mas em restaurantes, bares e discotecas, ficam
liberados do gesto - devido à falta de espaço -, bastando dizer
"desculpe, não dá para levantar".

Já as mulheres não se levantam nunca. Nem em apresentações, nem em
cumprimentos. Só para uma anciã ou um cardeal, a menos que se esteja
numa discoteca. Mas o que iriam fazer essas pessoas numa discoteca?

Praia. Nunca fique pedindo coisas: óleo importado, protetor solar,
cigarros, as horas etc. Proteja-se dessas pessoas mais do que de uma
insolação. Ou já chegue dizendo "que absurdo, sabe quanto paguei por
esse óleo?"

Nunca chegue à casa de ninguém sem avisar, a não ser que você tenha
se sentido mal exatamente na porta da casa do seu amigo. Assim mesmo,
interfone.

Ao visitar um doente, que a visita seja curta. Mesmo assim, só vá
avisando antes e com a certeza de que será bem-vinda. Cuidado com os
assuntos. Não peça detalhes da doença, exames. Não conte a história de
uma enfermidade parecida, porém mais interessante.

Para uma visita de pêsames, 10 minutos bastam. Mesmo que você perceba
que sua presença está fazendo bem, espere que peçam para você ficar um
pouco mais.

Quando nasce uma criança, também seja breve. A depressão pós-parto
existe. Não vá em grupo. Pouco barulho. Não toque no bebê, não peça para
segurar no colo. A casa já está cheia de novidades, não é hora para
entreter visitas. Não espere que te ofereçam mais do que um copo d'água.
Não faça disso um programa. Não fume. Não fique contando histórias. Só
há um assunto: o bebê e tudo o que diz respeito a ele. O parto, as
mamadeiras, fraldas, se chora de noite, se o umbigo caiu, se a mãe tem
leite, se empedrou etc.

Quando terminar qualquer visita, espere que abram a porta para você.
Não vá logo botando a mão na maçaneta.


Quando te perguntarem "oi, tudo bem?" não engrene com um "ah, minha
filha, com uma gripe!" e aí, os detalhes. Sobretudo, não diga o nome dos
remédios que está tomando.

Não boceje. Se acontecer e você não puder mesmo evitar, que seja em
total silêncio. Tente, apertando a língua no céu da boca e, ao mesmo
tempo, a ponta do polegar no dedo indicador. As freiras diziam ser
infalível. Se não funcionar, mãozinha na frente da boca.


Nunca entre num aposento sem bater na porta antes. Se for no quarto do
seu filho pequeno, ou no seu próprio, com o marido lá dentro, dê sempre
umas batidinhas antes.

Não se lê correspondência de outra pessoa. Nem se mexe na bolsa, ou se
olha a agenda, ou a gaveta, ou se escuta uma conversa. Isso é invasão
intolerável de privacidade. Respeite o diário de sua filha, mesmo que
ela tenha só cinco anos.

Um homem deve sempre ajudar a mulher que está carregando algum
embrulho, a não ser que ele já esteja com as mãos ocupadas.

Às vezes você encontra uma pessoa que não via há muitos anos, tipo
colega de colégio. E leva um susto, tal o estrago dos anos. Disfarce a
impressão que o encontro te causou e não deixe transparecer que você
quase não a reconheceu.

Quando encontrar uma amiga visivelmente grávida, cuidado para não
dizer "não sabia que você tinha se casado". Talvez ela não tenha.

Alguém vai jantar em sua casa. No dia seguinte te manda flores,
agradecendo. Se você, por sua vez, telefonar agradecendo, não vai acabar
nunca a ladainha. Fique atenta e basta que, na próxima vez que se
encontrarem, agradeça. Mas não esqueça.

Em enterros ou missas, não vá produzida. Não é necessário vestir
preto, mas é imperdoável atacar de perua numa hora dessas. Missas e
enterros não são festas, embora às vezes certos velórios sejam tão
animados quanto, só faltando mesmo bebida, música, e alguém começar a
dançar.

Se cruzar con uma celebridade, tipo artista, e disser que o acha o
máximo, a pessoa vai adorar. Mas pare por aí. Deixe-a em paz.
Autógrafos, nem pensar.

Delicadeza é você não usar sua roupa mais deslumbrante quando sua
amiga está mais para o simplesinho. E também não se espremer como uma
salsicha dentro do seu tubinho mais apertado quando for sair com sua
amiga gordinha.

Se você pegar um táxi com um amigo e ele entrar na frente, não tome
isso como má educação, muito pelo contrário. Na verdade, ele teve o
incômodo maior, que é o de quem entra primeiro. Talvez seja bom que ele
diga: "estou entrando na frente para te facilitar".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dica Finesse do Dia - Como Conversar


Parece estranho ensinar o óbvio, mas muitas pessoas gostariam de conduzir melhor uma conversa e não sabem como. Talvez seja algo aprendido naturalmente, talvez seja ensinado por pai e mãe dentro de casa, mas existe um "feeling", um "semancol", uma delicadeza, uma sensibilidade, enfim... existe algo que todo mundo precisa ter na hora de conversar... e se não tem, é possível desenvolver (isso é o mais legal!)... por isso são interessantes esses trechos de um livro de Danuza Leão:



Os assuntos


Não conte histórias muito longas. Dê chance ao outro de expor as
ideias dele.

Se você não domina o assunto que está sendo debatido, ouça com
atenção, faça perguntas. Pode ser uma bela maneira de ampliar seus
conhecimentos.

Seja atento, curioso, interessado. Nada pior que ouvinte distraído.
Faça como Jô Soares quando está entrevistando.

Exibir erudição é pedante e antipático. Se você for mesmo muito culto,
finja ser apenas médio. Seja modesto.

Evite falar de negócios em festas, apesar dessas ocasiões serem ideais
para fazer contatos. Se for o caso, marque um novo encontro para
prosseguir o business iniciado.

Médicos em festas costumam gerar uma roda de hipocondríacos. Não
aproveite o encontro casual para fazer uma pequena consulta.

Deixe para contar gracinhas sobre seus filhos quando estiver numa
reunião de mães. Com certeza elas ouvirão tudo com atenção, para depois
poderem contar as gracinhas dos seus próprios. Como você sabe, na vida,
quase tudo é troca.

Cuidado com o uso de expressões em outras línguas. Pode haver quem
desconheça e aí fica indelicado. Também falar demais de pessoas e
lugares importantes aos quais o comum dos mortais não tem acesso, mesmo
sendo verdade, é antipático. Afinal, nem todos têm a chance de ser tão
viajados, bem-relacionados, cultos, inteligentes e brilhantes como você.

Encontrando um velho amigo, resista às reminiscências. "Lembra de
fulano?" "Que fim levou sicrano?" Perguntas que costumam terminar em
depressão brava.

Evite comentar sobre seus sucessos com quem está em má fase. Sobre seu
maravilhoso trabalho com quem está desempregado. Sobre seu estonteante
namorado com quem está sem nenhum.


Procure ser bem-informado. Leia vários jornais, boas revistas. Leia os
livros mais recentes, releia os clássicos. Mesmo superficialmente, saiba
o que acontece na política, moda, artes e afins.


Não seja radical em suas opiniões. Tenha flexibilidade para mudar, se
ouvir uma melhor que a sua. Também discorde. Se todo mundo estiver de
acordo, morre o assunto.

Não corte o barato do outro. Se alguém estiver falando de um
restaurante maravilhoso, um hotel fantástico, uma cidadezinha na Tunísia
que ninguém conhece, deixe que termine a história antes de dizer que
você já conhece tudo que ele contou. Se conseguir se segurar e deixar
seu amigo brilhar sozinho, melhor ainda.

Não fique só no eu, eu, eu. Para isso, pague uma sessão de análise.

Cuidado com o excesso de sinceridade.